terça-feira, 20 de julho de 2010

A DESPEDIDA DO AMOR

Existem duas dores de amor...

A primeira é quando a relação termina e nós continua-mos a amar, temos que nos acostumar com a ausência do outro, com a sensação de perda, de rejeição e com a falta de perspectiva, já que ainda estamos tão embrulhados na dor que não conseguimos ver luz no fim do túnel.

A segunda dor é quando começamos a vislumbrar a luz no fim do túnel.

A mais dilacerante é a dor física da falta de beijos e abraços, a dor de ficar desimportante para o ser que ama-mos. Mas, quando esta dor passa, começamos um outro ritual de despedida... A dor de abandonar o amor que sentíamos. A dor de esvaziar o coração, de remover a saudade, de ficar livre, sem sentimentos especiais por aquela pessoa... Dói também...

Na verdade, ficamos apegados ao amor tanto quanto à pessoa que o gerou. Muitas pessoas reclamam por não conseguir se desprender de alguém. É que, mesmo sem darem conta no fundo, não se querem desprender! Aquele amor, mesmo não retribuído, tornou-se um souvenir, lembrança de uma época bonita que foi vivida... Passou a ser um bem de valor inestimável, é uma sensação à qual a gente se apega. Faz parte de nós. Queremos, lógicamente, voltar a ser alegres e disponíveis, mas para isso é preciso abrir a mão de algo que nos foi caro por muito tempo, que de certa maneira entranhou-se em nos, e que só com muito esforço é possível alforriar.

É uma dor mais amena, quase imperceptível. Talvez, por isso, costuma durar mais do que a "dor-de-cotovelo" propriamente dita. É uma dor que nos confunde. Parece ser aquela mesma primeira dor, mas já é outra. A pessoa que nos deixou "já não nos interessa mais", mas interessa o amor que sentíamos por ela, aquele amor que nos justificava como seres humanos, que nos colocava dentro das estatísticas: "Eu amo <3, logo existo".

Despedir-se de um amor é despedir-se de nos mesmos. É o arremate de uma história que terminou, externamente, sem que concordase-mos, mas que também precisa de sair de dentro de nos...

E só então assim podere-mos voltar amar novamente...

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